Portucel «eucaliptiza» Moçambique

O grupo económico português da Portucel-Soporcel está a ultimar negociações com o Governo moçambicano para adquirir 200 mil hectares de terrenos (equivalente à área de 200 mil estádios de futebol) para plantar eucaliptos, junto dos quais pretende construir uma fábrica de pasta de papel, informa o Público.

Recorde-se que, nos anos 80 do séc. XX , quando a consciência ambiental em Portugal era muito fraca - o que, em geral, se mantém, ainda hoje, com poucas e honrosas excepções - assistia-se à eucaliptação indiscriminada de vastas áreas do nosso litoral e de áreas serranas, reconversão esta que tinha por vezes lugar em áreas com espécies autóctones e ou consideradas importantes para a conservação da biodiversidade. Esta foi uma grande luta que, convém não esquecer, decorreu muitas vezes em sintonia com o sentir das populações locais que receavam as mudanças drásticas que estas florestações colocariam à sua região e ao seu modo de vida.

As múltiplas actividades que então decorreram tiveram alguns pontos altos nas acções directas no terreno levadas a cabo pela população e que envolveram acorrentamento de pessoas às máquinas, em Manhuncelos, concelho de Marco de Canaveses, em 1988, na Serra da Aboboreira, em Janeiro de 1989, em Valpaços, dois meses depois, ou ainda em Mértola, juntamente com a Associação de Defesa do Património de Mértola, no final desse ano. Em todas essas mobilizações, a Quercus de então, bastante diferente da que existe agora, teve um papel fundamental. Relembremos as formas como as acções se realizaram e o que aconteceu aos projectos que foram alvo destes protestos:

Na Aboboreira:
- ecologistas acorrentaram-se às máquinas que preparavam os terrenos;
- camponeses e aldeões da serra da Aboboreira (Aboboreira, Entaladouro, Várzea da Ovelha, etc.) juntaram-se e trouxeram centenas de cabeças de gado para a frente das máquinas;
- o projecto não avançou, tendo ficado eucaliptados apenas alguns hectares que não afectaram a actividade pastorícia (a principal causa que levou à mobilização dos camponeses). A causa provável foi a mediatização do caso, que levou a Soporcel a abandonar o projecto para evitar a deterioração da sua (já má) imagem.

Em Valpaços::
- população local e ecologistas fizeram uma acção directa onde arrancaram 3 mil pés de eucaliptos que tinham sido plantados;
- GNR tinha montado guarda na propriedade e atacou a população, a cavalo;
- GNR deteve um membro de uma cooperativa agrícola local;
- O projecto não avançou e na propriedade permaneceram apenas algumas pequenas manchas de eucaliptal.

Em Mértola::
- Ecologistas e membros da ADPM acorrentaram-se às máquinas que preparavam os terrenos na Herdade dos Cachopos (+1000 ha, a descer até ao Pulo do Lobo) para a plantação de eucaliptos;
- circulou um abaixo-assinado a contestar a plantação;
- A empresa responsável acabou por desistir do projecto. Ficaram algumas manchas de eucalipto, mas não muitas.

Link: o caso Aracruz-Brasil (Via Campesina)

Fonte

Galeria
Portucel «eucaliptiza» Moçambique

Comentários

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Eucaliptos

Na minha cidade, Aracruz/ES local onde atualmente abriga uma das maiores produtora de celulose do mundo e onde o eucalipto faz parte de quase extensão do território posso dizer com certeza que o eucalipto trouxe para a minha cidade praticamente toda a riqueza financeira da cidade, pois a empresa empregava a maior parte dos moradores da cidade e trouxe um grande desenvolvimento para a cidade, hoje graças a este desenvolvimento e com a descoberta de Petróleo, Aracruz se tornou umas das cidades que mais cresce no Espirito santo.
www.fibria.com.br e www.pma.gov.br, vejam com seus próprios olhos.

Portucel

Boa tarde

VIvo em Moçambique e trabalho para uma ONG na área do meio ambiente. Gostaria de ter mais informação sobre a actuação da portucel em portugal e no mundo. Os problemas que tem causado, o que as comuindades locais dizem etc... se poderem mandar-me nome de instituções para contactar, estudos de caso, links de sites onde tem esse tipo de informação, ONGs etc

Obrigada

Nilza

história eucaliptos

Bom dia
trabalho numa ONG de Lisboa, e temos trabalhado os temas da historia dos primeiros eucaliptos em Portugal, e em Uruguai... se quiser podémos enviar mais informaçoes e links para ler
Un saludo
Ignacio

Um investimento desta

Um investimento desta grandeza vai trazer a Moçambique um elevado numero de empregos no sector primário agro/florestal, vai melhorar a vida de milhares de famílias, trazer, por arrastamento, desenvolvimento económico a região de Manica.
Será que algum ambientalista utópico já alguma vez promoveu ou executou algum programa de desenvolvimento económico que tire da fome e miséria populações inteiras, por esse mundo fora? Não! Os ambientalistas utópicos têm uma conta bancária avultada, alimentam-se bem, tem boas casas para viverem, e nunca trabalharam directamente para colmatar a fome e a miséria, apenas se servem do ambiente para viverem à grande!
Aos ambientalistas apenas resta dizer: vão trabalhar, malandros!

Grave é conjugar ambiente com economia

Se tal for avante será grave pois os eucaliptos secam e empobrecem os terrenos incrivelmente sendo factor de diminuição enorme da biodiversidade...

Por acaso alguém sabe se os terrenos que estão cedidos em moçambique são férteis a alguma espécie que seja relevante à biodiversidade? Infelizmente e como muito acontece em portugal... os terrenos onde estão implantados eucaliptais não são da empresa em si. Quem diz portucel diz qualquer outra empresa que produza celulose como por exemplo celbi e sodra. Os proprietários dos terrenos acabam por ser "comprados" pelos valores que estas empresas pagam pela mesma cedência, visto que é muito mais atraente do que plantar,semear ou tratar da propriedade sem nenhum fundo garantido. O que é grave é o governo não ter uma atitude mais generalizada sobre todos os conteudos que envolvem empresas de celulose e proprietários. E sobre moçambique certamente dá que pensar se o impacto ambiental justifica para a não construção de um forte "empurrão" na economia tão necessitada do país.

Estás em Moçambique e queres combater essa praga dos eucaliptos??
Fala já com os camaradas da Frelimo, que eles levam-te para um acampamento de férias, onde terás muitas oportunidades de praticar ecologia aplicada, mê cabranito... sim, por tu não deves passar fome, pois não?
Um Moçambicano

Mais grave ainda

É que a portucel não irá comprar os terrenos mas estes «serão» cedidos «gratuitamente» pelo governo moçambicano...(Veja-se o que foi anunciado há poucos dias pelo «Diário Económico»: http://economico.sapo.pt/noticias/mocambique-da-terrenos-a-portucel-para... )Se tal for avante será grave pois os eucaliptos secam e empobrecem os terrenos incrivelmente sendo factor de diminuição enorme da biodiversidade...

não se pode dar um peixe mas ensinar a pescar...

Para já isoladamente só poderás passar a mensagem, falar com as pessoas, escrever artigos de opinião...se conseguires um grupo de pessoas esclarecidas e motivadas podes sempre preparar acções públicas, abaixo-assinados e até acções directas...acções directas podem ser manifestações, concentrações, tomada de instalações ou mesmo acções mais radicais como sejam o corte de eucaliptos, etc...sempre acções que não põem em causa a vida humana ou dos animais...para evitar pôr em causa a vida das plantas, o melhor é agir antes da situação ser um facto...já!
Abraço e dá-nos notícias, ok?

que importam lá os animais? que treta!

Assino por baixo nao desistas

Assino por baixo nao desistas luta por essa terra linda que eu bem conheço!!!!

estou em moçambique e gostava

estou em moçambique e gostava de saber o que posso fazer para combater este crime ambiental que se anuncia.

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